Pastoreando Familias

 

            PASTOREIRO DE FAMILIAS QUEBRADAS

                         UBIRAJARA CRESPO

 

 

BUSCANDO A CURA PARA A DOR

fonte: Ministerio Crescer
 

   Um dia destes pude conversar com um casal que enfrentava problemas de atritos diários. Podia-se até dizer que haviam construindo trincheiras em todos os cômodos da casa. Cada decisão a ser tomada, por menor que fosse, tornava-se um grande problema. Havia por parte de um dos cônjuges, uma irresistível inclinação a contrariar.

   Qualquer coisa que o marido viesse a dizer, ela era contra. É como se em sua mente, interpretasse cada sugestão do companheiro como uma tentativa de agressão, que precisava ser imediatamente revidada. Tentei investigar a causa desse tipo de impulso e o Espírito de Deus trouxe a minha mente cenas de agressões físicas. Isto ficou confirmado durante nossa conversa, pois a moça havia sido muito maltratada pelo pai durante toda sua infância.

   Contou-me que, certa vez, estava no colo de sua mãe, quando o pai entrou visivelmente embriagado pela porta da sala e, empunhando uma arma, ameaçou-as e finalmente bateu com ela na cabeça da sua mãe. Esta começou a sangrar e o sangue que lhe escorria pela face, chegou até o rosto daquela criança assustada.

   Na realidade, aquela filha de Deus tinha sua alma ferida por causa de lembranças traumáticas e estava sempre na defensiva. Ela conservava em seu coração uma revolta contra o pai, o que acabou se traduzindo em uma grande raiz de amargura.

   Descoberta a causa de seu comportamento hostil fui conduzindo a conversa e, após a compreensão da situação, ela veio a preferir palavras de perdão para seu pai. Ao mesmo tempo confessou, perante ao Senhor, que este ódio era um pecado contra a santidade de Deus e pediu perdão ao pai celestial por ter alimentado esse sentimento por tanto tempo. Pediu perdão ao marido, a quem vinha agredindo gratuitamente todos esses anos, e assumiu uma disposição mental positiva diante da vida, das pessoas e, principalmente do marido. Dessa forma, tivemos mais um casamento restaurado.

 

      RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO

 

 Lembranças como essas podem desferir golpes terríveis sobre as emoções das pessoas e provocar perturbações em seu comportamento dentro de casa. O papel de conselheiro, nessas horas, é descobrir onde e como essa ferida se formou, levar o aconselhado a tomar as providencias necessárias para ser curado e passar o balsamo divino sobre essa alma ferida. Não há duvida de que cada casa é um caso e que o grau de profundidade dos problemas varia, também de pessoa para pessoa, de historia pra historia.

   Na grande maioria das vezes, projetos pessoais ou coletivos enquanto a causa dos problemas não é encontrada, podem torna-se grandes pesos. Não adianta aliviar os sintomas, é preciso chegar até a causa. Não podemos tratar dificuldades de famílias superficialmente.

   Esse processo pode se demorado, mas uma vez descoberta a causa, já andamos uma boa parte do caminho. Porém, se a pessoa aconselhada não for capaz de reconhecer sua parcela na historia de infortúnios, não iremos a lugar nenhum. Mesmo que seu erro seja reagir de modo negativo às agressões sofridas, precisa ser reconhecido e confessado para que haja cura. Não adianta tentar jogar a culpa de seus fracassos sobre experiências e traumas do passado, pois isso não traz cura, apenas explica. Uma alma ferida não precisa de explicação, mas fé restauração.

 Psicólogos entendem que há um tipo de pessoa para o qual não existe uma abordagem terapêutica eficiente. Trata-se daquele homem que não desenvolveu seu discernimento moral.

   Essa pessoa não consegue perceber o erro, por mais escandaloso que seja. Veja o exemplo do individuo que não consegue ficar em emprego algum por fazer corpo mole. Ao ser questionado responde:

    - Eu fiz todo esforço necessário, em que estou errado?

   Alguns maridos e esposas magoam constantemente seus companheiros e ao serem advertidos dizem:

    - Como? Quando? Onde?

   A única coisa que os perturba é a conseqüência ( desemprego, comentários, inimizades, etc.), mas não conseguem ver em si mesmos nenhum procedimento errado.

   Não existe cura sem dor.E nós, como pastores de famílias quebradas, precisamos ter a coragem de levar as pessoas a assumirem sua parte no problema. Alguém já disse que em uma discussão não exista uma pessoa que esteja cem por cento certa e a outra cem por cento errada. Uma discussão só termina quando há quebrantamento de ambas as partes.

 

 

ELIMINANDO O MAL

 

   Depois de detectado o sentimento que aprisionava aquela alma, ele deve ser confrontado e expulso em nome de Jesus. A maior preocupação aqui, não é com o nome dos demônios, mas sim com o problema que eles causam. Podemos estar enfrentando poderes como depressão, derrota, angustia e assim por diante.

   É preciso levar também em conta a relação entre raiz e sintoma. São problemas que acarretam os outros. A amargura é uma raiz que provoca reações como ódio, nervosismo e agressividade. A rejeição pode provocar tristeza, carência afetiva, apatia, desanimo e problemas de auto estima. Agressões emocionais, física e sexuais sofridas na infância produzem medo, insegurança, fuga e introspeção exagerada. É preciso ter todas estas coisas e mente ao aconselhar um casal. Antes de trabalhar os sintomas, devemos erradicar suas causas.

 

 

PREENCHENDO O MAL COM O BEM

 

   Enquanto oramos pelo casal no qual foi detectado e tratado o sentimento de nervosismo, declare que sua casa se encha da paz de Deus, a qual exerce todo o entendimento, declarando pela fé que aquela família esta sendo invadida por essa qualidade celestial ( Mt. 12. 43-45). No lugar de rejeição, coloque o amor de Deus e procure demonstrar carinho e afeição.

   Não encerre o pastoreio dessa família sem colocar textos bíblicos que deverão ser lidos sempre que os problemas tentarem retornar. Geralmente é necessário um acompanhamento, processo de reeducação. Educar na justiça faz do ministério cristão. “Toda escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça”. (II Tm. 3.16). E aqui que entram os projetos familiares como sair juntos, trazer presente, andar de mãos dadas, etc.

   Uma família em fase de restauração precisa de cobertura de oração e de assistência espiritual. Uma igreja responsável deve ter esse tipo de assistência à suas famílias.

   Que Deus levante pessoas com corações nesse ministério, pois a necessidade é cada vez mais premente.