Limites

Fonte: Ministério Crescer 

 

LIMITE

QUAL O PONTO DE EQUILIBRIO?

 

 

          Ao longo de nossa historia, a população vem assistindo ao fenômeno de mudanças de valores morais e éticos, em nossa sociedade. Isso se deve a muitos fatores, entre os quais se incluem a falta de conhecimento ou confusão dos pais e da sociedade,em geral,quando ao real conceito de disciplina e limite.

          Podemos dividir a historia da humanidade quanto à educação das crianças em dois momentos distintos. No primeiro, a criança não considerada como tal

por isso,era reduzida a um ser sem vontade e tratada como um adulto em miniatura. Nessa época, reinavam o medo e a angustia na relação criança adulto. Com o passar da historia, surge o conceito de criança. Há uma grande mudança no papel que ela desempenha na sociedade, que vai do paternalismo excessivo até o “filho centrismo”,realidade atual que significa ser o reizinho da casa-situação na qual sua vontade reina e todos fazem e trabalham em sua função. Com essa mudança, a sociedade perdeu a noção de limite e disciplina, o que terminou por causar nos tempos atuais uma falta de parâmetros na educação dos filhos.

          Na atualidade, uma das maiores angústias de pais que se preocupam com a educação moral e ética dos filhos é a de como contribuir para o      desenvolvimento deles. Eles não sabem a resposta e tem medo de errar, o que causa uma serie de ações confusas e, muitas vezes, contraditórias.

          Afinal, o que é disciplina? Qual a melhor forma de trabalhar limites com os filhos? Se coloco limites em meus filhos, será que não posso estar atrapalhando seu desenvolvimento? Bater é o melhor remédio? Como corrigir atos falhos de nossos filhos? Essas são as perguntas comuns na sociedade atual e demonstram, de forma clara, a angustia e aflição dos pais que ,sem saber o que fazer diante das atitudes dos filhos(para educar seus filhos) e sem parâmetros mínimos que os auxiliem nessa decisão ,tomam decisões próprias confiando na melhor intenção de formar seus filhos.

          Colocar limites no comportamento do filho continua ser de fundamental importância para o desenvolvimento de uma personalidade sadia e para a formação da cidadania. Hoje, sabemos que não tem sentido treinar as crianças à obediência sem questionar, mas mostrar a ela a importância das normas e regras para conviver.

          Analisando o desenvolvimento do limite na criança, percebemos que ela passa por três estágios, sendo o primeiro a anomalia que é a incapacidade de compreender e praticar regras; o segundo,a heteronomia, que é quando a criança pratica regras sem compreende-las; e, por ultimo, a autonomia, que é a capacidade de autogovernar-se pela interiorização das regras. E esse é o ponto chave; não treinar a criança à obediência e, sim, possibilitar que ela perceba a relevância da disciplina explicando o porquê de poder fazer e não poder fazer.

          Um bom exercício para interiorização das regras é o uso de jogos, pois, para brincar, é necessária a observância das regras, e, por meio delas, a criança percebe que cada grupo (escola, igreja, família) tem suas regras, assim como cada jogo, que tem suas regras, e as regras orientam nossa conduta. Os pais que deixam os filhos sem limites e correções não dão a eles a chance de desenvolverem sua autonomia moral e cognitiva e, ainda, não os preparam para a vida, já que, para vivermos em grupo, temos limites e exigências.

          Diante dos limites, podemos analisar alguns tipos de pais existentes e como sua criação interfere na vida futura da criança. Observando as atitudes dos pais, caracterizamos essa ação em quatro grupos distintos. São eles:

 

 

PAIS CONTROLADORES

          

      Caracterizam-se por chamar a atenção dos filhos antes de ouvir explicações, estabelecem regras sem explicar o porquê, definem padrões para ditar como o filho deve ser, supervaloriza a obediência, utilizam-se de punições severas,quando contrariados ou confrontados,acreditam que a criança deve aceitar o que dizem sem questionar,exigem que os filhos se ponham em seu lugar,repreendem e castigam os filhos com freqüência, não demonstram carinho, consideram os distúrbios de comportamento dos filhos como possíveis falhas de caráter futuro, por isso, os castigam, evitam elogio, temendo perder autoridade, adotam postura arrogante, frases humilhantes, comentários pesados e desrespeitosos, não demonstram afeto. Agindo desse modo, os pais, que estão tentando contribuir com a boa formação do filho, terminam por causar um sentimento de medo, retração, baixa estima e dificuldade em confiar em si mesmo.

         

           

PAIS PROTETORES

 

      Caracterizam-se por não saberem o que fazer se a criança esta triste ou com raiva,fogem das emoções negativas,acreditando que são prejudiciais, evitam encarar os problemas com clareza,tapando o sol com a peneira, superprotegem os filhos das emoções negativas,sem ensiná-los como resolver problemas. Deixam os filhos aos cuidados de terceiros, sem acompanhar de perto seu desenvolvimento, acreditam que o filho encontrará sozinho a forma de resolver os problemas que encontrar. Agindo assim os pais contribuem para a formação de crianças que aprendem que expressar os sentimentos é errado, tornando-se pessoas inseguras de si mesmas, confusas em relação aos sentimentos, não sabem lidar com criticas ,submetem-se a pressão dos colegas.

 

        

 

 

 

 

PAIS PERMISSIVOS

        

      Na maioria das vezes, são acolhedores e procuram atender os impulsos e desejos dos filhos, exigem pouca responsabilidade deles,costumam deixar os filhos fazer o que quiserem ,aceitam  a desobediência como algo normal, não

dão importância para o que as crianças falam ou sentem, aceitam birras e coisas do gênero, não impõem limites às ações dos filhos. Pais que agem assim podem estar contribuindo para a formação de crianças egoístas, individualistas, que não se adaptam às regras do grupo, que não conseguem controlar a emoção.

 

 

PAIS EDUCADORES

         

      Caracterizam-se por estimular os filhos a se afirmarem, expressam sua opinião com bom senso, estão sempre abertos para discutir regras de conduta e comportamento e explicar aos filhos o que não entendem. Pedem desculpas quando erram se expressam, aos filhos de forma educada, as ações porem, sem controle, explicam o que fazem e permitem a participação dos filhos nas decisões importantes, elogiam as boas ações, chamam atenção de forma rígida, porem sensata. Levantam questionamentos com os filhos sobre suas ações, impõem limites e ensinam a controlar as emoções, são carinhosos e expressam afeto com facilidade.

     Tendo pais educadores, as crianças mostram-se mais preparadas para suportar e resolver problemas, mostram-se autoconfiantes, têm tranqüilidade para lidar com sentimentos seus e dos outros, confiantes, benquistos,discutem as regras.

     É essencial a presença de limites na vida da criança, pois, só assim, ela será capaz de conviver em uma sociedade de forma plena. 

 

 

 

Bibliografia

ANDRADE, Rosamaria Calaes de. Disciplina escolar e cidadania: uma abordagem psicogenética. Dois Pontos; Out/Nov/Dez 1995.p48-50.

 

Dulcimária Ferreira da Cunha

Graduada em Pedagogia

IP Nacional- Contagem, MG

 

Ellen Michelle B. de Moura

Graduada em Pedagogia.